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ARTIGOS

29/10/2026

O fim da escala 6x1: o que muda na prática com a nova regra constitucional

Imagem/Arquivo Pessoal
Detalhes Notícia

O Congresso Nacional aprovou e promulgou uma alteração histórica na rotina de trabalho do país por meio da Emenda Constitucional nº 141. O texto alterou o art. 7º, inciso XIII, da Constituição Federal, encerrando a tradicional escala 6x1 (seis dias trabalhados para um de descanso) e instituindo a jornada máxima de 40 horas semanais com direito a dois dias de repouso semanal remunerado (migração para o modelo 5x2), sem qualquer redução salarial.
O fim da escala 6x1 nasceu fora dos gabinetes, impulsionado pela mobilização popular iniciada nas redes sociais com o Movimento Vida Além do Trabalho (VAT).

• O clamor social: Apontou-se o esgotamento físico e mental gerado pela rotina de apenas uma folga semanal, incompatível com a saúde e o convívio familiar.
• O debate econômico: De um lado, defensores demonstraram que mais descanso eleva o bem-estar e a produtividade; de outro, entidades empresariais alertaram sobre o impacto imediato nos custos operacionais em setores essenciais (como comércio, hotelaria e serviços).
• O desfecho legislativo: A conciliação veio na forma de uma transição escalonada para que o mercado consiga absorver o novo padrão constitucional.
Para entender melhor os pontos centrais e a regra de transição, é importante observar a nova redação constitucional trazendo garantias diretas e prazos para adaptação:
• Salário protegido (Art. 7º, VI e XIII, da CF): A redução da carga horária máxima semanal é proibida de gerar qualquer corte salarial. O salário mensal segue intacto.
• Dois dias de descanso: A folga de dois dias na semana é obrigatória, com preferência aos domingos. A organização dessas folgas pode variar conforme a atividade e as necessidades da empresa, desde que assegurada a média e os limites constitucionais.
• Negociação coletiva (Art. 611-A da CLT): Sindicatos e empresas mantêm autonomia para ajustar turnos e compensações por meio de acordos coletivos, desde que respeitados o teto de horas da etapa vigente e as duas folgas semanais.

Cronograma de transição obrigatória (“vacatio legis”)
A mudança ocorre em duas etapas para permitir o ajuste das folhas de pagamento e dos turnos:

1. Primeira etapa (A partir de 15 de dezembro de 2026 - 60 dias após a promulgação): A jornada máxima cai de 44 para 42 horas semanais, passando a ser imediatamente obrigatória a concessão de dois dias de folga semanal remunerada.
2. Segunda etapa (A partir de dezembro de 2027 - 14 meses após a promulgação): Atinge-se a jornada final de 40 horas semanais, consolidando em definitivo o novo teto constitucional.

Nota para o setor público e terceirizados: Contratos administrativos de mão de obra exclusiva possuem prazo de até 1 ano para reequilíbrio econômico-financeiro formal, mas os trabalhadores terceirizados já adquirem o direito às adequações de jornada conforme os prazos gerais da transição.

Por derradeiro, a mudança exige ação preventiva imediata de empregadores e atenção plena dos trabalhadores aos seus direitos:

• Mapeamento de escalas: Empresas devem auditar postos de trabalho em regime 6x1 para reorganizar as folgas antes do início da vigência em dezembro de 2026.
• Recálculo de adicionais: Acordos de banco de horas e horas extras devem ser revisados, considerando a alteração gradual do divisor mensal de cálculo (que migra proporcionalmente de 220 para 210 e, por fim, para 200 horas/mês).
• Diálogo coletivo: A negociação com entidades sindicais é o caminho mais seguro para definir escalas setoriais específicas e afastar o risco de passivos trabalhistas.

No caso de dúvidas sobre políticas internas, direitos trabalhistas ou condutas no trabalho, consulte sempre um advogado de sua confiança para garantir a melhor orientação e evitar complicações legais.

(*) Luis Fernando de Castro. OAB/SP 156.342. Especialista contencioso civil e trabalhista, parceiro da Advocacia Eduardo. Queiroz - Araçatuba/SP. E-mail: lc@luiscastro.adv.br  | Fone: (18) 3424-8121/Whats: (18) 99749-4554

Luis Fernando de Castro (*)



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