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ARTIGOS
07/03/2026
O preconceito do "animal social"
Quer mais uma boa indicação para leitura? Leia O animal social, editora Goya, de Elliot e Joshua Aronson, considerado pela crítica como “o melhor livro já escrito sobre o campo da psicologia social”, como expôs Daniel Gilbert! A obra é composta por vários capítulos; no VII, aborda o preconceito, tema deste artigo ou quase resenha. Os autores em questão definem o preconceito como uma atitude negativa contra todos os membros de um grupo distinguível, baseada somente no pertencimento desses indivíduos a um grupo (pg. 279). O componente cognitivo do preconceito são estereótipos, porque os animais sociais (humanos) dividem o mundo em categorias entre nós e eles, explicam os autores. É que com o tempo se aprende a fazer parte de grupos ou categorias que moldam à nossa maneira de pensar sobre nós e sobre os outros, formando opinião sobre questões como raça, gênero, etnia, ideologia política etc. Um exemplo de estereótipo brasileiro (inverdade, logicamente): nordestino é preguiçoso ... Os autores citam exemplo interessante de estereótipo sobre mulheres nos EUA: nos anos entre 1950 e 2012, morreram duas vezes mais pessoas em furações com nome de mulher do que em furacões com nome de homem, porque as pessoas parecem ter menos medo de furacões com nome de mulher do que daqueles com nome de homens, e por isso tomam menos precauções com a segurança (pg. 285). Consta do livro que o componente comportamental do preconceito é a discriminação. A discriminação racial e étnica são as que mais preocupam nos EUA. Nas escolas, crianças negras são suspensas quase três vezes mais do que crianças brancas, mesmo na pré-escola (pg. 288), e dentre cerca de 1,4 milhão de homens norte-americanos na prisão, 40% são negros e 30% são hispânicos. A discriminação de gênero nos EUA continua (como no Brasil), em especial, no mercado de trabalho, sob o preconceito de que as mulheres são menos competentes que os homens. Aponta-se como causas (origem) do preconceito, fatores econômicos e políticos. É, mais uma vez, o tal “nós e eles”, como se um ser humano fosse superior a outro, por ser rico ou ocupar cargo público de alto escalão. Os autores explicam sobre isso: “Geralmente, o preconceito resulta de forças econômicas e políticas. Segundo essa visão, tendo em mente que os recursos são limitados, o grupo dominante pode tentar explorar um grupo minoritário para obter alguma vantagem material ...”. A teoria do “bode expiatório” de se culpar inocentes é abordada na obra, que lembra na Alemanha Nazista, os bodes expiatórios foram os judeus; no Sul rural (EUA), eram os afro-americanos etc. Explica-se, ainda, que o preconceito pode advir pela conformidade, ou seja, pode ter raízes na infância, na observação de modelos de comportamento familiar ou da comunidade. Fato interessante, também apontado na obra: em 1954, a Suprema Corte dos EUA, decidiu que crianças negras e brancas deveriam estudar na mesma escola, declarando, sabiamente: “escolas separadas, ainda que iguais, eram, por definição, desiguais”. Ocorreu que, na prática, gerou-se tensão e tumulto em salas de aula e até aumentou o preconceito entre grupos raciais (pg. 314). O preconceito só foi mitigado (certamente, não extinto), por meio do estímulo de atividade de cooperação e interdependência entre os alunos brancos e negros, em situação em que os dois grupos precisavam cooperar para atingir um objetivo. O método adotado foi o Jigsaw, em que a participação num grupo cooperativo rompe a adversidade entre os grupos, formando uma categoria cognitiva (mental) da unidade (pg. 321). Em palavras mais simples: a cooperação, ainda que em grupos diferentes (heterogêneos), gera unidade, que rompe ou atenua o preconceito. Essa é a breve síntese de um dos capítulos do livro, que abordou profundamente o tema preconceito. Vale a pena ler a obra toda. Fica, pois, a dica!
(*) Adelmo Pinho é promotor de Justiça do Tribunal do Júri em Araçatuba/SP. Este articulista escreve periodicamente para o jornal DIÁRIO DE PENÁPOLIS. E-mail: adelmopinho@terra.com.br
Adelmo Pinho (*)
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