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07/04/2026
Medidas preventivas salvariam muitas vidas
Depois. Essa talvez seja a palavra mais utilizada no Brasil e das que trazem resultados mais trágicos.
Em 22 de dezembro de 2024, caiu a ponte que ligava Maranhão e Tocantins. A nova estrutura só foi construída depois da morte de 14 pessoas e do desaparecimento de outras três. Se não tivesse ocorrido o desabamento, por mais que existissem relatórios técnicos apontando a necessidade de reparos, com certeza, até hoje nada teria sido feito e mais cedo ou tarde mortes ocorreriam com a queda da ponte.
Entre abril e maio de 2024, no Rio Grande do Sul, chuvas torrenciais mataram 184 pessoas e deixaram 23 desaparecidas. Medidas já sugeridas após a tragédia de 1941 não haviam sido implantadas nem mantidas.
Os exemplos se repetem, como se obedecessem a um roteiro previsível. Em Itajaí (2008), foram 135 mortos; na Região Serrana do Rio de Janeiro (2011), 918; em Petrópolis (2022), 241. Bahia, Minas Gerais, Pernambuco e o litoral norte de São Paulo ampliam essa lista.
Os episódios mais recentes confirmam o padrão: oito mortes em Ubá e 65 em Juiz de Fora. Descobriu-se, depois, que mais de 90% das verbas destinadas às medidas preventivas a esses desastres não haviam sido aplicadas. Então, cada esfera de governo apresenta sua justificativa, enquanto tenta remediar o irreparável com doações de cobertores e o abrigo improvisado de famílias em escolas públicas.
Assemelha-se à frase famosa, grosso modo, de que o governo quebra as pernas das pessoas, depois dá uma muleta e ainda se vangloria que andam por conta de sua bondade.
Essa omissão não se restringe às tragédias naturais. Ela aparece também nos estupros coletivos e de vulneráveis, nos milhões de assaltos pelo país e em operações policiais marcadas por falhas evitáveis — como câmeras desligadas, inclusive em ações com mortes, como no caso da médica Andréia Marins Dias. Não há sequer um controle eficaz que aponte previamente que essas câmeras estão inoperantes e precisam ser ativadas.
A mesma lógica se repete com órgãos de fiscalização. Em Pombal, na Paraíba, uma pizzaria só foi interditada um dia depois da intoxicação de cerca de uma centena de pessoas e da morte de Raíssa Meritein Bezerra e Silva. Se a inspeção tivesse ocorrido um dia antes, uma vida teria sido preservada e dezenas de pessoas não teriam sido intoxicadas.
Em Copacabana, a queima de fogos passou a ser realizada em balsas apenas após a morte de uma pessoa atingida por estilhaços. Se não tivesse havido morte, até hoje estilhaços estariam voando entre milhões de presentes.
A permanência desse padrão decorre, em parte, da passividade social diante dessas falhas recorrentes, mas também se sustenta na posição dos envolvidos. Nessas tragédias, nunca se vê alguém das camadas mais altas — um médico, um deputado, um prefeito ou vereador — sendo retirado do lamaçal.
Em 2010, escrevi sobre essas mortes recorrentes no texto “Novela de todo verão”. Ainda assim, esse intervalo é pequeno se comparado às medidas preventivas já sugeridas por Dom Pedro II para Petrópolis, registradas em seu diário em 5 de fevereiro de 1862.
As autoridades precisam ser responsabilizadas, tanto pelas perdas materiais quanto pelas vidas interrompidas. Se quem dirige sob efeito de álcool responde por assumir o risco de seus atos, muito mais devem ser autoridades que permitem construções e permanência em áreas que elas próprias classificam oficialmente como impróprias. Um dia antes, a mesma medida de um dia depois teria salvado muitas vidas
(*) Pedro Cardoso da Costa é Bacharel em Direito. Atualmente mora em Interlagos/SP
Pedro Costa (*)
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