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04/10/2026

O país que teremos começa na escolha que faremos

Imagens/Arquivo Pessoal
Detalhes Notícia

Neste domingo, milhões de brasileiros sairão de casa, caminharão até uma seção eleitoral e ficarão por alguns minutos diante de uma urna.
Alguns minutos.
É curioso pensar que decisões capazes de produzir consequências por anos sejam tomadas em tão pouco tempo.
Nós pesquisamos antes de comprar um celular. Comparamos preços antes de escolher um carro. Lemos avaliações antes de reservar um hotel. Perguntamos a amigos antes de contratar um profissional.
Mas quanto tempo dedicamos para escolher aqueles que receberão o poder de tomar decisões que alcançarão nossa família, nossa cidade, nosso Estado e nosso país?
Essa talvez seja uma das perguntas mais importantes desta semana.
Não escrevemos este texto para dizer em quem você deve votar.
Pelo contrário.
Escrevemos porque acreditamos que ninguém deveria terceirizar uma decisão tão importante.
Seu voto é seu.
Não pertence ao grupo da família.
Não pertence ao influenciador que você acompanha.
Não pertence ao seu chefe, ao seu amigo, ao seu líder religioso ou à pessoa que pensa diferente de você.
E também não deveria pertencer ao medo, à raiva ou ao entusiasmo de uma campanha eleitoral.
O voto pertence à consciência.
Por isso, antes de apertar o botão verde, pare.
Pesquise.
Compare propostas.
Conheça a trajetória dos candidatos.
Procure compreender quais são as atribuições do cargo para o qual aquela pessoa está concorrendo.
Questione aquilo que você recebe pelas redes sociais.
E, sobretudo, faça uma pergunta que nenhuma propaganda eleitoral pode responder por você:
Por que estou escolhendo esta pessoa?
Democracia não significa que todos pensaremos da mesma maneira.
Nunca significou.
Uma sociedade livre é formada justamente por pessoas diferentes, com histórias, valores, prioridades e visões de mundo diferentes.
Podemos discordar profundamente e, ainda assim, reconhecer no outro o mesmo direito que reivindicamos para nós: o direito de escolher.
Talvez seja disso que o Brasil mais precise depois das eleições.
Menos inimigos.
Mais cidadãos.
Porque, quando a eleição terminar, continuaremos encontrando uns aos outros.
Na padaria.
Na escola dos nossos filhos.
Na igreja.
No trabalho.
Na rua.
Dentro da própria família.
O candidato do outro pode não ser o nosso candidato. Mas o outro continuará sendo nosso vizinho, nosso colega, nosso amigo, nosso irmão.
A eleição passa.
O país fica.
E somos nós que continuaremos aqui para construí-lo.
Por isso, neste domingo, não vote apenas porque votar faz parte do calendário.
Vote entendendo a dimensão daquele momento.
A urna ficará diante de você por poucos minutos.
Mas aquilo que fazemos com a nossa liberdade revela muito sobre a sociedade que desejamos construir.
Não pedimos que você vote como nós.
Pedimos algo muito mais importante:
pense por você. Pesquise por você. Decida por você.
E, depois que fizer sua escolha, respeite quem chegou a uma conclusão diferente.
Neste domingo, leve consciência para a urna e respeito para fora dela.
Porque o futuro de uma democracia não depende apenas de quem vence uma eleição.
Depende também da maneira como seus cidadãos escolhem viver juntos depois dela.

(*) Dra. Ana Carolina Consoni Chiareto e Dra. Rosangela CRISTINA Rossi, advogadas

Dra. Ana Carolina Consoni Chiareto e Dra. Rosangela Cristina Rossi (*)



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