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CIDADE & REGIÃO

07/07/2019

Santa Casa: Caixa misteriosa pode guardar 100 anos de história

Imagem/Rafael Machi
Detalhes Not�cia
100 anos após sua fundação, hospital ainda mantém traços do prédio iniciado em 1919

DA REPORTAGEM

Em 16 de setembro de 2019, a Santa Casa de Penápolis completará 100 anos do lançamento de sua pedra fundamental. Para muitos, saber como era a vida na cidade no ano de 1919 é um grande segredo, mas que poderá, em breve, ser desvendado e as principais memórias desta época revividas. Isso porque relatos históricos mostram que a Santa Casa possui uma espécie de “cápsula do tempo”. Uma caixa com diversos objetos enterrados no lançamento da pedra fundamental do hospital e que podem estar até hoje esperando para serem revelados.
A hipótese foi levantada pelo jornalista Ricardo Alves, que sempre estudou fatos históricos de Penápolis e até já escreveu livros com alguns dos principais acontecimentos. Ele explicou que a história desta caixa é contada por Orentino Martins em seu livro “Apontamentos Biográficos – Cel Manoel Bento da Cruz”. “O livro traz a história do lançamento da pedra fundamental da Santa Casa com detalhes, desde a presença de autoridades do governo até relatos do que teria sido enterrado junto com a caixa”, comentou.
O livro relata que em 16 de setembro de 1919, o Dr. Oscar Rodrigues Alves esteve em visita oficial a Penápolis juntamente com outros representantes do governo de São Paulo. Ele que era Secretário do Interior, havia sido recebido por uma comitiva formada, entre outros nomes, por Bento da Cruz, presidente do diretório político local, e pelo então prefeito Renato Dias de Aguiar. A visita teria sido registrada ainda pelo senhor Francisco Teixeira de Melo, representante dos jornais “O Correio Paulistano” e “O Penapolense”. 
O livro de Orentino Martins conta ainda que a cerimônia de lançamento da pedra fundamental teve início às 16h45 daquele dia com o pronunciamento do então provedor do hospital, Bento da Cruz.

Objetos
O livro relata ainda que, após a solenidade, uma caixa teria sido enterrada junto à pedra fundamental e que nela continham diversos objetos, tais como diversas moedas, documentos, curiosidades, jornais do dia, entre outros. O livro conta ainda que a caixa teria sido “hermeticamente” soldada. “Para o assentamento da pedra fundamental, as senhoritas Maruca Cunha Cintra e Leonor Cruz ofereceram ao Exmo. Sr. Dr. Secretário do Interior uma masseira envernizada e enfeitada com as cores da bandeira brasileira, contendo uma pequena porção de cimento concreto e um lindo estojo com as ferramentas de pedreiro (martelo e colher), artisticamente confeccionados de prata maciça”, relata Orentido em seu livro.
A ideia do hospital sempre foi a de oferecer atendimento gratuito aos mais pobres. Para tanto, Bento da Cruz teria encerrado seu discurso durante a solenidade afirmando seu carinho e filantropia para com os “desprotegidos da fortuna”.
Para Ricardo Alves, Bento da Cruz já era referência em toda a região por sua liderança. “Isso merece ser destacado, pois Bento da Cruz era um grande empreendedor de sua época, foi uma grande liderança para o município e região por sua influência e sua vontade de promover o desenvolvimento da região”, destacou o jornalista. 

Dúvida
Apesar dos relatos históricos sobre a caixa centenária que estaria enterrada no local onde hoje é a capela da Santa Casa, a diretora do Museu Histórico de Penápolis, Alessandra Nadai, ressalta que é preciso se certificar de que o objeto ainda esteja no local. “Não temos conhecimento de que esta caixa já tenha sido retirada no cinquentenário do hospital, por exemplo. Já fizemos algumas pesquisas em documentos do hospital e nada foi encontrado. Entretanto, nosso próximo passo será uma pesquisa minuciosa em jornais de diferentes épocas para sabermos se há relatos deste fato. Nosso objetivo agora é saber se esta caixa realmente está lá embaixo”, explicou.
Além disso, outro problema enfrentado para a descoberta deste material será saber onde, exatamente, a caixa se encontra. “Este é outro trabalho que também estamos iniciando, o de saber onde esta caixa está enterrada. A capela da Santa Casa é um espaço histórico por sua antiguidade, por isso não podemos sair simplesmente quebrando piso e cavando. Tudo está sendo elaborado de forma a se manter a história e descobrir algo com grande importância para nossa cidade”, destacou Alessandra.
Outra dúvida é com relação a data de fundação da Santa Casa, isso porque em maio deste ano, a Prefeitura Municipal comemorou os “100 anos” da Santa Casa, apesar dos relatos históricos darem conta de que a pedra fundamental foi lançada somente em setembro. O jornalista Ricardo Alves, acredita que maio tenha sido o mês de criação da primeira irmandade gestora do projeto de criação do hospital. “No lançamento da pedra já tínhamos Bento da Cruz como gestor. Dessa forma acredito que a criação deste grupo gestor tenha ocorrido em maio e a pedra fundamental lançada meses depois”, explicou.

Recuperação
O secretário municipal de Cultura, Luiz Carlos Colevatti, ressaltou que o município possui interesse em resgatar a história dos objetos contidos nesta caixa, entretanto, é preciso aguardar os estudos sobre o objeto a fim de confirmar sua permanência no local. “Pesquisas estão sendo feitas a fim de levantarmos estas informações, é preciso saber se esta caixa permanece. Desta forma, queremos resgatar esta parte da história de Penápolis até setembro. Temos um importante hospital para nossa região, com uma importância cultural muito grande, por isso vamos nos empenhar em resgatar este fato que marca o início de 100 anos de história da nossa Santa Casa”, o secretário.
Segundo o que foi apurado, caso ainda permaneça enterrada, esta caixa histórica da Santa Casa de Penápolis poderá ser a “cápsula do tempo” mais antiga ainda sem ser violada no município.

(Rafael Machi)

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