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CIDADE & REGIÃO

17/02/2008

Arquivos: Livro-catálogo contará história do Museu do Sol

Detalhes Not�cia

Com 36 anos de existência e muita história no mínimo interessante guardada nos arquivos do museu, a direção do Museu do Sol de Penápolis decidiu reunir o material num livro-catálogo. Para a pesquisa e edição de texto, foi convidado o historiador e jornalista penapolense Paulo de Carvalho. O lançamento deve acontecer em outubro, quando a cidade comemorará cem anos de fundação.
O trabalho é uma iniciativa do empresário Celso Viana Egreja, cuja família mantém o museu, e da museóloga, Elizabeth Bergner. Além do resgate histórico e de contar a relação da instituição com a cidade ao longo desses anos, no catálogo deverá constar as principais obras do acervo do museu, com fotos coloridas. Para isso, a direção da instituição tem pesquisado a escolha de um profissional especializado neste tipo de fotografia, já que exige muito detalhe e técnica para que a reprodução seja impecável. “Tudo está sendo preparado com muito capricho porque este material será distribuído para instituições e museus de todo o país”, contou Paulo. Exemplares do catálogo também estarão à disposição da população e de visitante no próprio museu, com o montante arrecadado com a venda a ser revertido à própria manutenção da instituição.

Pesquisa
Durante seis meses, o jornalista pesquisou o material disponível no museu, documentos que vão desde informações sobre obras e artistas que tem quadros expostos no local a materiais pertencentes à fundadora do Museu do Sol, a artista plástica Iracema Arditi, falecida em 2006. “Como o arquivo é muito completo, foi bem tranqüilo o processo de pesquisa”, comentou, “Reuni arquivos de jornais e outros documentos para fundamentar as pesquisas históricas e, como Iracema era muito organizada, a instituição tem todo arquivo dela, desde cartas pessoais a recortes de jornais e revistas das décadas de 60 e 70”, revelou o historiador. Ainda segundo ele, uma grande contribuição para as memórias do lugar foi a entrevista com o empresário Celso Egreja, apaixonado pela arte e idealizador de toda a riqueza histórica que a cidade ganhou com a vinda do Museu do Sol.

História
Em seus 36 anos de existência, o museu está a 28 anos em Penápolis. Sua histórica começa em São Paulo, com projeto nascido na década de 70, no ateliê da artista Iracema Arditi, que conquistava cada vez mais prestígio e ganhava espaço para suas exposições por toda a Europa. Iracema começou a colecionar obras de artistas primitivos e ingênuos (Naif) e a expor para o público em seu próprio ateliê. Porém, a movimentação e, conseqüentemente, a falta de comodidade para pintar, somada à grande quantidade de obras reunidas, cerca de 300 quadros, resolveu alugar o espaço de uma antiga fábrica para acomodar a exposição. Foi então que nasceu, em 1972, o Museu do Sol, na rua Dr. Diogo de Faria, nº 539, na Vila Clementina, em São Paulo.
Na época, o acervo ia sendo alimentado por meio de doações, e Iracema também trocava seus quadros por obras Naif de outros artistas. Porém, cerca de três anos depois, dificuldades financeiras obrigaram a fundadora a voltar com as obras para casa e, como viajava muito pela Europa, limitava a visitação aos períodos em que estava no Brasil. Enquanto isso, em Penápolis, Celso Egreja, que em 1975 já residia na cidade, vindo com a família após a compra da Companhia Açucareira, fomentava a cultura local por meio de seus contatos com muitos artistas. O empresário encantou-se com a beleza do prédio do antigo Clube Penapolense, construído em 1925, que corria o risco de ser demolido, e por várias vezes buscou junto à Prefeitura a doação do espaço, sendo muitas vezes ignorado. (ler trecho do livro).
Por outro lado, o então presidente da FUNEPE, Carlos Stropa, idealizava um Salão de Artes na cidade, convidando Celso para organizar o evento. Então, em 1975, foi realizado o Primeiro Salão de Artes da Noroeste, com a presença de artistas conceituados da arte contemporânea, entre eles, Tomie Ohtake, Aldemir Martins, Cláudio Tozzi, Caciporé Torres e Maro Campello. “Foi um sucesso e, no ano de 1978, quando da terceira edição do evento, estava entre os artistas convidados Iracema Arditi, que até então não conhecia Celso”, explicou o jornalista. Foi durante um almoço com os artistas que o empresário pediu que eles doassem algumas obras pra criar uma pinacoteca de arte contemporânea na cidade. “Na ocasião, Iracema ofereceu mais que um quadro, e sim a coleção inteira do seu acervo Naif, com cerca de 300 obras”, revelou Paulo. Já as obras dos demais artistas formaram o Núcleo Básico do Museu de Arte Contemporânea, que existe em Penápolis desde aquela época, embora não tenha espaço físico para exposição permanente, com acervo armazenado no Museu do Sol, enquanto a arte Naif ganhou espaço e visibilidade com a doação de Iracema, além de obras valiosas adquiridas pela família Egreja para enriquecer o acervo. “Artistas primitivos também doaram seus quadros e houve contribuição por parte da iniciativa privada”, comentou o pesquisador. “Na época, a administração da cidade era feita pelo prefeito Nagib Sabino, que estava deixando o cargo, assumido por Ricardo Castilho”, lembrou o historiador. Para administrar o museu, Celso criou a Funarpe (Fundação de Artes de Penápolis). Após muitas tentativas, ele conseguiu que o prédio fosse desapropriado pela Prefeitura em benefício do município e posteriormente cedido para a utilização da Fundação. Tempos depois, o prédio foi definitivamente doado à instituição. Por sua influência política, Celso conseguiu ainda que o então secretário estadual da Cultura, Antonio Henrique da Cunha Bueno, liberasse verba de um milhão de cruzeiros para a reforma do prédio, que estava em ruínas. “Uma complementação orçamentária da Prefeitura foi concedida e o próprio Celso investiu 600 mil cruzeiros”, contou Paulo. A reforma durou dois anos e, em 11 de outubro de 1980, aconteceu a inauguração do museu, com a presença de autoridades como o secretário de Cultura e artistas, entre eles, Isabel de Jesus e Waldomiro de Deus, o escultor Ditinho da Joana, mestre Dezinho e o pintor italiano Ernesto Cavallin.
A partir desta data o museu, com a coordenação da Funarpe, iniciou um período de grande atividade, com a vinda de muitos artistas e obras expostas em São Paulo. Como a usina passava por uma fase muito boa e a Funarpe é exclusivamente mantida pela família Egreja, o desenvolvimento econômico tinha influência direta neste movimento cultural da cidade. “O grande auge foi em 1988, quando duas exposições foram realizadas na Europa. Paris e Alemanha receberam 53 obras do nosso museu e foi a primeira vez que grandes artistas primitivos expuseram em conjunto, realização de grande repercussão na época”, comentou.
Após a década de 90, em especial os anos de 1999, 2000 e 2001, começaram a surgir uma série de problemas que ameaçavam a existência do museu. A crise era reflexo das dificuldades da companhia açucareira e da falta de incentivo governamental ao museu. “Aos poucos a instituição conseguiu ser recuperada, com esforços do próprio empresário, que buscou outros mecanismos de verbas”, contou o jornalista, “A manutenção hoje está assegurada, embora não seja a mesma situação confortável observada na década de 80”, completou.

Cultura
O historiador defende que toda a população penapolense deve conhecer as riquezas guardadas pelo Museu do Sol. “Faço um convite aos penapolenses que por incrível que pareça sequer entraram no museu até hoje. Temos uma coleção maravilhosa e a única instituição especializada em arte primitiva ingênua da América Latina – no mundo, são apenas duas, sendo que a outra encontra-se na França, onde também há uma sala com obras Naif criada por Iracema”, revelou Paulo. A pintura Naif acomoda uma arte acessível, simples, direta, de fácil entendimento, fascinando, inclusive, crianças, pela riqueza de cores e elementos. “Para valorizar o que temos é preciso conhecer. Grandes entendedores, críticos e pessoas ligadas a instituições de arte conhecem e reconhecem muito nosso museu, mas a própria população deixa muito a desejar quanto a isso”, opinou.

Passos
Além deste catálogo, Paulo escreveu recentemente um livro-reportagem sobre os 25 anos de fundação do Jornal Interior, que deve ser lançado este ano. Seu próximo projeto, de iniciativa própria, é a criação de uma revista para comemorar o centenário da cidade. “Quero resgatar muitas fotos antigas e contatar pessoas especialmente convidadas para escrever sobre Penápolis”, adiantou ele. A intenção é finalizar os trabalhos até outubro. Para isso, o jornalista parte agora em busca de recursos junto à iniciativa privada. “Embora não seja muito custoso, não posso viabilizar sozinho, então buscarei apoio de empresários e outras pessoas que queiram comprar cotas de patrocínio”, revelou. (AR)

Leia um trecho:

“Na verdade, já há algum tempo Celso Egreja preocupava-se com o destino do velho prédio em ruínas. Quando mudou para Penápolis vindo de Ipaussu, no início da década de 70, ao assumir a sua família a direção da Companhia Açucareira, fazia apenas dias que ele estava na cidade e em certa ocasião passando pela Avenida Rui Barbosa viu o belo imóvel antigo. Sensibilizado, parou o carro e perguntou a pessoas próximas que prédio era aquele, sendo informado que tratava-se do velho Clube Penapolense, que estava em processo de venda e certamente seria derrubado. Imediatamente ele seguiu para a Prefeitura Municipal. Pediu para falar com o prefeito Nagib Sabino, apresentou-se como proprietário da Companhia Açucareira. Foi muito bem recebido, o prefeito até pediu desculpas porque já fazia alguns dias que os Egreja estavam no município e ele ainda não os havia visitado, afinal uma família nova estava chegando a Penápolis tendo adquirido sua maior indústria. Celso agradeceu a consideração mas disse que não estava ali por isso, solicitando então ao prefeito se poderia dispor de alguns minutos para ver algo que ele gostaria de mostrar-lhe.
O empresário levou o prefeito até a frente do antigo Penapolense e disse que tinha ficado sabendo pouco antes que o prédio seria destruído. Nagib respondeu que conhecia a história do local e que inclusive havia tocado muito ali, em bailes, carnavais e casamentos, com a banda musical que no passado integrava com seus irmãos, a Jazz Sabino, mas que agora era somente um velho prédio. Insistente, Celso Egreja ponderou que aquele era o prédio mais bonito da cidade e que o prefeito deveria tombá-lo em prol do município, afinal seria um crime Penápolis vir a perder tal patrimônio. Incomodado, Nagib taxou-o de louco diante de tanto idealismo e chegou a manifestar ironicamente preocupação com os destinos da Companhia Açucareira, pedindo para ser levado de volta à Prefeitura. Vencido, o empresário levou o prefeito embora mas continuou com o antigo imóvel na cabeça”.

FOTOS:

O trabalho de pesquisa e edição de texto ficou a cargo do historiador e jornalista Paulo de Carvalho

Diretores da Funarpe pouco antes do início das reformas

Fachada do antigo Clube Penapolense, construção de 1925

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