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ESPORTES

17/03/2019

CANTINHO DA SAUDADE

Imagem/Arquivo Pessoal
Detalhes Not�cia

Memórias do Carboni: Pegando de volta

Fui dono de um salão de forró de 1986 a 1996. Foram 10 anos nos quais eu fiz dezenas de novas amizades e estreitei as já existentes. Adquiri muita experiência, presenciei muitas histórias e vivi muitas emoções. Essa época coincidiu com o nascimento de minhas duas filhas e de meu filho aumentando, portanto, essas emoções. Ele se localizava perto do Curtume Atlântica e era conhecido como “forró do Marião”, “vai quem quer” ou como “risca faca” na boca dos fofoqueiros. Passados já tantos anos de encerramento das atividades, muitos dos frequentadores já morreram, mas ainda encontro vários remanescentes que se lembram com saudade daquele tempo. O forró provocou algumas desavenças entre casais quando um dos cônjuges ia escondido do outro, mas em compensação também uniu vários outros que ali se conheceram e estão juntos até hoje. Dezenas de histórias aconteceram dentro e fora do salão. A porta era aberta pouco antes das 23h e em menos de 30 ou 40 minutos o salão já estava lotado. Os fregueses que quisessem sair para comprar cigarro ou tomar alguma bebida mais sossegado em um bar, ali ao lado, conferir se o seu carro não fora roubado ou danificado, ou fazer um programa amoroso agendado lá no salão recebiam um carimbo na mão ou no pulso para não terem de pegar novo ingresso quando retornassem. Tinha gente que não parava quieto nem dentro e nem fora num verdadeiro entra e sai desde o começo, atrapalhando o fluxo de entrada, então resolvemos liberar a saída apenas para depois da uma hora da madrugada. Isto desagradou algumas pessoas, mas pelo menos melhorou o trabalho na portaria. Certa noite chegou duas mulheres, sendo que uma delas estava grávida, pagaram os seus ingressos e entraram tão logo a porta foi aberta. Como de costume, o salão se encheu rapidamente e ainda não era meia noite quando elas pediram para sair. Pela nova determinação isto não seria possível, mas como eu estava ajudando na portaria, ponderei que teria de abrir uma exceção. Era o mês de agosto, seco, e mesmo sendo noite, o calor era sufocante e a mulher estava em adiantada gravidez. Se fosse impedida de sair, ela poderia armar um “barraco” ou mesmo que não saísse poderia passar mal e eu seria responsabilizado por tudo de ruim que pudesse acontecer. Liberadas, elas nem quiseram carimbar a mão, alegando que não voltariam. Minutos após vieram me avisar que havia uma mulher nua dentro do banheiro. É claro que não entrei para verificar, mas algumas mulheres lá na porta me esclareceram o acontecido. Dentre os fregueses assíduos que não perdiam nenhum forró, havia um casal constituído por um rapaz negro, baixinho atarracado e de uma mulher branca, um pouco mais velha que ele. Os dois mantinham um caso amoroso e aproveitavam o forró para se encontrarem e era justamente ela que estava nua no banheiro. Apurei também que a mulher grávida era esposa deste rapaz e que ela ficou sabendo que ele tinha pegado um vestido dela e dado a amante para ir ao forró. Esta descoberta foi demais para ela, pois além de “emprestar” o marido, ainda tinha de emprestar, mesmo que involuntariamente, suas próprias roupas. Não teve dúvidas, entrou no salão como eu narrei, foi ao banheiro e deu um flagrante na “sócia”, pegando seu vestido de volta e talvez dando-lhe uns tabefes. Para resolver a situação da pelada foi preciso que o “seo” Antonio, um senhor que morava em um quartinho no terreno do salão, emprestasse uma camisa e uma bermuda para ela. Só que ela era bem magra, então a bermuda ficou larga e foi preciso dobrar o cós e amarrar com barbante. O machão sumiu e daí a poucos minutos ela também se foi. No sábado seguinte lá estavam os dois pombinhos, como se nada tivesse acontecido. Só que aquele triângulo amoroso um dia acabou e o rapaz não ficou nem com uma e nem com outra, pois morreu afogado na prainha de Barbosa. A amante não ficou choramingando a “viuvez” e continuou frequentando o forró por muitos anos ainda. 

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