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CARTA DO LEITOR

11/10/2026

CARTA ABERTA À COMUNIDADE JAPONESA DE PENÁPOLIS

Queridos amigos, famílias e descendentes da comunidade japonesa de Penápolis, Escrevo esta carta não apenas como Vereador de Penápolis, mas também como alguém que carrega, no nome, na história familiar e no coração, a herança da cultura japonesa.
Todos nós sabemos que os japoneses e seus descendentes tiveram participação marcante na construção da história de Penápolis. Foram homens e mulheres que chegaram com pouco, mas trouxeram consigo algo de enorme valor: disposição para o trabalho, respeito à família, disciplina, honestidade, espírito comunitário, perseverança e a convicção de que o futuro seria construído pelo esforço de cada geração.
Nossos pais, avós e bisavós ajudaram a plantar muito mais do que lavouras. Plantaram raízes, construíram famílias, estabeleceram negócios, formaram profissionais, participaram da vida econômica e social da cidade e ajudaram a transformar Penápolis num lugar melhor para seus filhos e netos.
Muitos de nós crescemos ouvindo histórias dos antigos encontros da comunidade, das festas, dos eventos, das atividades esportivas, das reuniões de famílias, tradições e daquela convivência que fazia com que todos se conhecessem e sentissem parte de algo maior.
O tempo passou. As famílias cresceram. Os filhos e netos seguiram suas profissões e seus próprios caminhos. A sociedade mudou. E, pouco a pouco, alguns desses encontros foram deixando de acontecer. Muitas tradições permaneceram apenas dentro das famílias. Outras ficaram guardadas nas fotografias, nas lembranças dos mais velhos e nas histórias que ouvimos em casa. Mas tenho me perguntado, será que não chegou o momento de nos reencontrarmos? Não para simplesmente reproduzir aquilo que existia antigamente. 
Não se trata de voltar ao passado, mas de reconhecer que existe uma história extraordinária por trás de cada família japonesa que ajudou a construir Penápolis — e que essa história merece continuar. Gostaria muito de ver nossas famílias novamente próximas, nossos idosos contando às crianças como era a vida de seus pais e avós, além dos jovens conhecendo melhor suas origens, e que nossos sobrenomes fossem associados não apenas às famílias que representam, mas também a uma história coletiva de trabalho, perseverança e contribuição para Penápolis.
Precisamos valorizar quem veio antes de nós, registrar suas histórias e mostrar aos nossos filhos e netos de onde viemos. E precisamos fazer com que essa cultura continue viva. Imagino uma comunidade novamente reunida em torno de projetos culturais, sociais e educacionais. 

Retomada dos Eventos
Podemos promover festas japonesas, realizar festivais de gastronomia, incentivar apresentações de música, dança e artes tradicionais, organizar exposições de fotografias das famílias pioneiras e desenvolver projetos com escolas. Podemos incentivar atividades esportivas, encontros culturais e oficinas voltadas às crianças e aos jovens. Criar momentos de homenagem àqueles que abriram os caminhos que hoje percorremos. Inclusive, recuperar histórias que correm o risco de desaparecer se não forem registradas agora.
Penápolis vive também um novo momento de valorização de seu potencial turístico e cultural. E acredito sinceramente que a comunidade japonesa tem muito a oferecer nesse processo.
Nossa cultura é rica, a gastronomia desperta interesse, e as tradições são admiradas. Nossa história merece ser contada. Tudo isso pode se transformar em festas, eventos, encontros e projetos capazes de integrar o calendário cultural da cidade, além de atrair pessoas de toda a região.
Mas existe algo ainda mais importante do que qualquer festa ou evento: existe o reencontro entre as pessoas. Antes de pensarmos em grandes projetos, precisamos talvez fazer algo muito mais simples: voltar a conversar, reunir famílias, procurar aqueles que durante tantos anos participaram das atividades da comunidade. Conhecer os descendentes mais jovens. Ouvir nossos idosos. Reunir pessoas que tenham vontade de ajudar. Cada um poderá contribuir da maneira que puder. Alguns terão ideias, outros, experiência. Alguns poderão dedicar tempo, outros ajudar a organizar atividades. Haverá aqueles que conhecem a história das famílias, aqueles que dominam tradições, aqueles que podem ensinar culinária, artes, esportes ou costumes. Quando uma comunidade se reúne, cada pessoa traz consigo uma pequena parte daquilo que é necessário para construir algo grande.
Tenho profundo respeito por todos aqueles que vieram antes de nós. Talvez muitos deles jamais tenham imaginado que, após muitas décadas, seus descendentes ainda estariam aqui, ajudando a construir Penápolis.
Por isso, penso que temos uma responsabilidade, recebemos deles um legado. Nossa missão agora é não permitir que esse legado termine conosco. Quero que nossos filhos saibam quem foram os seus bisavós, que os netos conheçam as histórias que hoje ainda podemos ouvir diretamente de nossos pais e avós. Que os jovens sintam orgulho de suas origens e toda a população de Penápolis conheça melhor a contribuição da comunidade japonesa para nossa cidade. Porque essa história não pertence somente aos descendentes de japoneses, mas à história de Penápolis.
E talvez este seja o momento de escrevermos juntos um novo capítulo em que preservamos a memória, mas também criamos novas tradições. Em que homenageamos os mais velhos e, ao mesmo tempo, damos espaço aos mais jovens. Que mantemos nossas raízes, mas abrimos nossas portas para toda a sociedade.
Gostaria, portanto, que esta carta fosse entendida como um convite ao reencontro. Para que famílias voltem a se aproximar e ideias sejam apresentadas. Um convite para que possamos conversar sobre o futuro da cultura japonesa em Penápolis.
Não tenho a pretensão de dizer sozinho como isso deve ser feito. Ao contrário, acredito que um projeto dessa natureza somente terá sentido se nascer da própria comunidade. Mas coloco-me à disposição para ajudar a reunir pessoas, construir pontes, apoiar iniciativas e contribuir para que essa história continue.
Talvez uma grande retomada comece simplesmente com uma reunião, depois outra, uma pequena atividade, e quando percebermos nossas crianças estarão novamente convivendo, nossos idosos estarão sendo homenageados e as tradições estarão sendo transmitidas. É assim que uma cultura permanece viva. Não apenas nos livros, nas fotografias, mas principalmente nas pessoas.
Tenho orgulho da história construída pelos japoneses e seus descendentes em Penápolis. Tenho respeito por aqueles que vieram antes de nós, e esperança de que possamos, juntos, construir uma nova fase dessa história.
Que nossas raízes sejam motivo de orgulho, que a história seja preservada. Que nossas famílias voltem a se encontrar, e que a cultura japonesa volte a ocupar, com toda a sua riqueza, o espaço que merece na vida cultural de Penápolis.
Contem comigo.

Com amizade, respeito e gratidão,

MÁRIO ABE
Vereador – Câmara Municipal de Penápolis
Penápolis, outubro de 2026.

Mário Abe, Vereador – Câmara Municipal de Penápolis

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