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CARTA DO LEITOR

04/12/2021

Outro trabalho da “antologia” de escritores organizado por Reis de Souza em 1986, na cidade de Brasília, escrito e assinado por mim, Vó Maria, que neste momento compartilho com o DIÁRIO DE PENÁPOLIS.

Ambiguidades...

... Sem mágoa eu queria ser – para entender melhor... como aquele velho junco milenar, impassível, ereto desde o fundo dos pântanos Pestilentos!... Entender esse hospedeiro gratuito de insetos, em seu estado larval, através de suas câmaras gasosas, submersas, que após longos meses inativos, emergem e ganham o espaço, e se transformam em ninfas do ar: as libélulas - translúcidas, transparentes, cingidas de prata, etéreas, e valentes – algo ginecocratas... E o velho junco, de hastes finas, impassível – lá permanece e em todos os pântanos fétidos e palustres, corroborando a natureza com humildade, e oxigenando toda a vida celular – animal, racional, genial que trazemos d´agua!...
Entender mais aquela íbis sagrada que a seis mil anos, anda sobre os papiros do Nilo; honrada nos hieroglifos e talhadas nas estátuas dos recintos sagrados dos templos egípcios!
Entender a própria Ísis!... E entender outras divindades! Para ficar junto a tumba dourada do grande faraó e decifrar seus ritos pagãos, seus tótens, seus oratórios, e tentar negar os acosmismos - como Cora Coralina o fez entre o amor e o altruísmo, fazendo do seu coração um cibório de surpresas e acalanto, nas revelações litúrgicas junto a sábia Jaó.
E queria ser mais - um semideus que liga a terra as forças do calor e do frio - do vento e da chuva, dos astros e rastros!...
E habitar o fundo dos Abismos, os buracos das paredes, as fissuras das escapas e as órbitas dos satélites, para desarmar o sopro bélico de bestas metálicas e inflamantes de fogo, que aguardam o galope do mais infernal sweepstake de todos os tempos, sobre uma cronaxia implosiva, neurótica e impulsiva.
E ser ainda se pudesse um bólido, capaz de superar a barreira do som para ver de perto em sua plena magnitude, com seu véu verde azulado, o cometa pontual – em seu retorno da marcha nupcial ao redor do sol, vestido de aurora e crepúsculo!... O cometa bíblico – o São João Batista do Cosmo, com seu enorme bastão de estrelas do batismo espacial, se afastando dessa vez, desapontado pelo fim dos tempos!... Paradoxo cronográfico nas barreiras das eras daquela mensagem elucidaria, guia e santa, hoje, apenas eleidrica na lapinha de Belém.
Ainda ser – para entender melhor, entre os homens e os animais, não a serpente do caduceu médico, mas a serpente de Esculápio – o grego, mas um crótalo do oeste americano, negro elusidiu - cruel e repugnante, arrastando-se, resfolegando-se – pelas pedras quentes do velho Cânion, seu legado natural. Esse confim de terra, sempre igual, de lutas sangrentas, que homens, hoje, ainda a fazem não mais com um dólar na garrucha, mas pelos olhos, pelos ouvidos, pela epiderme, por cromossomos teleguiados em outras terras esfolheadas, violentas, tiranizadas por bocas cheias de vermes.
Ser mais um enorme calamar, um cachalote – ou melhor, um gigante abissal de aletas púrpuras, sensíveis, eletrizantes e escamas táteis, reflexivas, fosforescentes, químicas, de forças telúricas e coerir os mares, os ares e os lares, sobre o rastro poderoso que se aproxima do GRANDE CAMINHANTE, com emoção – pela mesma ESTRADA DE DAMASCO.
Que tristeza!... Ser ainda mais sem mágoa e profundamente feliz, pela própria apoteose da natureza encantada – aquela vitória régia – acolhedora, serena, imbatível, que mesmo maltratada por predadores hostis, se servem do abrigo se suas enormes folhas enclausuradas. Essa obra de arte – única, original – em meio a açoites febris, dentro d’água, que floresce toda branca, como um lençol estendido, morrendo e renascendo de si mesma – após a floração!... Sempre uma vez mais depois de assistir aos princípios funerais.
Mas, jamais ser ou entender sem mágoa, aquela ave briosa, inofensiva, batalhadora e de asas feridas por entre os espinhos densos dos cactos floridos do deserto – fonte de sua água, modificadora valente, mas alerta, medrosa e consciente do inimigo brutal: esse monstro elaborado, de barba libidinosa, condicionado pelo próprio ego da mente infernal – a espeita do filho por certo, impunimente e sem mágoa.

Vó Maria Cândida Virgílio Galli, Penápolis/SP, por e-mail

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