Classificados

VÍDEOS

Penápolis no programa Cidade contra Cidade do SBT em 1989
Saudoso Tachinha e seu Ford 29 - entrevista de 2008 - por Ricardo Alves (Cacá)

CLIMA

Tempo Penápolis

fale com o DIÁRIO

Fone Atendimento ao assinante & comercial:
+55 (18) 3652.4593
Endereço Redação e Comercial: Rua Altino Vaz de Mello, 526 - Centro - CEP 16300-035 - Penápolis SP - Brasil
Email Redação: redacao@diariodepenapolis.com.br
Assuntos gerais: info@diariodepenapolis.com.br

ARTIGOS

30/10/2026

Um foge, outro segue de toga. Vorcaro fica na prisão

Imagem/Arquivo Pessoal
Detalhes Notícia

A ironia do caso está na hipótese de que o banqueiro tenha acabado enredado na própria rede de influência que tentou mobilizar para se proteger.
Flávio Bolsonaro nos Estados Unidos. Alexandre de Moraes no Supremo. Daniel Vorcaro na prisão. Três personagens atravessados por revelações sobre dinheiro, acesso e influência, mas em situações muito diferentes diante da Justiça.
Flávio deixou o Brasil sem cumprir a determinação de entregar seus passaportes. Também é investigado pelas negociações com Vorcaro para financiar o filme sobre Jair Bolsonaro. O discurso de defesa da ordem encontra, agora, uma pergunta constrangedora: cumprir decisões judiciais só vale quando elas atingem os adversários?
Moraes permanece no STF enquanto mensagens atribuídas ao ministro e referências a encontros com Vorcaro exigem esclarecimentos. As suspeitas sobre essa relação não equivalem a uma acusação criminal comprovada. Mas a toga tampouco pode encerrar a discussão. A autoridade de quem julga depende da confiança de que sua própria conduta pode ser examinada com independência.
Não há equivalência automática entre os casos. Flávio e Moraes não devem ser apresentados como participantes de um mesmo esquema comprovado. Há, porém, uma cobrança legítima: que as relações de ambos com Vorcaro sejam esclarecidas sem privilégios e sem conveniências partidárias.
É aí que aparece a ironia. Segundo as revelações, Vorcaro buscou construir pontes com o poder para favorecer seus interesses. Agora, entre os três, é o banqueiro quem permanece preso. A rede de influência que pretendia mobilizar não impediu sua queda.
Sua prisão não prova a culpa dos demais, nem substitui uma condenação. Mas o contraste cobra respostas: que proteção essas relações prometiam, quais interesses aproximavam seus personagens e o que efetivamente aconteceu?
Um atravessa fronteiras. Outro continua de toga. Vorcaro permanece atrás das grades.
A Justiça precisa esclarecer essa história com o mesmo rigor para todos. Caso contrário, a teia pode até capturar o banqueiro — enquanto os fios que chegam ao poder continuam sem ser desatados.

 

(*) Arthur Bezerra de Souza Junior é Advogado, Economista e Cientista Político. Doutor em Direito Político e Econômico pelo Mackenzie com estágios de Pós Doutorado.

 

Arthur Bezerra de Souza Junior (*)



© Copyright 2026 - A.L. DE ALMEIDA EDITORA O JORNAL. Todos os direitos reservados. Proibida a reprodução parcial ou total do material contido nesse site.

Política de Privacidade