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19/06/2026
Velhices no plural: combater o etarismo começa pelo olhar
Quais são os lugares dos velhos na nossa sociedade? Sim, lugares pois não há uma única forma de se viver a velhice, mas diversas: são velhices.
Os velhos, os indivíduos que estão na fase da velhice, têm uma história vivenciada, de suas experiências, de suas relações. Têm também um futuro, no que podem constituir projetos e de viver a velhice com uma potência criativa. Ser quem se é, a partir do que se constituiu ao longo da vida, e poder se recriar mantendo a sua autenticidade.
Vou perguntar de outro jeito, mais pessoal: o que é a velhice para você? Qual é o seu olhar destinado aos velhos? As suas respostas foram positivas? Ou foram estereotipadas e generalizadas, a partir de concepções negativas? Lá no fundinho, você encontra em si uma série de preconceitos que se manifestam nas piadas, olhares de pena ou de intolerância, uma falta de paciência, uma grosseria, uma violência? A isso chamamos etarismo: estereótipos, preconceitos e discriminação em relação à idade, segundo o Relatório Mundial sobre o idadismo (2022) e o Relatório da Comissão da Organização Mundial da Saúde sobre Conexão Social (2025).
O que parecem ser somente ideias inofensivas, bobagens, produzem efeitos reais deletérios para os velhos: adoecimento, isolamento, sentimentos de exclusão e de solidão (OPAS, 2022; OMS, 2025). As ideias se propagam em ações discriminatórias às quais os velhos se identificam. E então, por onde ir? Como mudar essa situação? Temos algumas alternativas. Diante o desrespeito, a mudança pelo reconhecimento, nas relações pessoais mais próximas, da família, dos amigos e dos amores; na inclusão de pertencimento comunitário e social pois a ideia de que os velhos querem descansar é errônea, não se confirma na vida real. E por fim, o espaço de reconhecimento pelo acolhimento, pela escuta, diálogo e trocas de experiências entre todas as gerações.
Enfrentar o etarismo exige, antes de tudo, torná-lo visível. É um fenômeno que se sustenta em práticas cotidianas e, por isso mesmo, precisa ser reconhecido, nomeado e compreendido para que possa ser efetivamente combatido. O caminho passa pela educação, pelo desenvolvimento da empatia e pela construção de relações que favoreçam a convivência entre as gerações e a troca de experiências. Não se trata apenas de uma mudança individual, mas de um compromisso coletivo com uma sociedade que reconheça a velhice em sua diversidade, potência e dignidade.
(*) Flávia Maria de Paula Soares é professora da Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUCPR) e organizadora da VII Ação Intergeracional Contra o Etarismo - PUCPR, que acontece no dia 19 de junho, das 8h30 às 12h30, no Centro de Realidade Estendida da PUCPR. O evento é aberto à comunidade e gratuito
Flávia Maria de Paula Soares (*)
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