CADERNOS
VÍDEOS
CLIMA
fale com o DIÁRIO
+55 (18) 3652.4593
Assuntos gerais: info@diariodepenapolis.com.br
ARTIGOS
12/06/2026
Violência contra a mulher e o mito do bom pai agressivo
Esta semana recebi a confirmação mais dolorosa de uma reflexão que há muito tempo me acompanha: "um homem que não respeita a mãe de seus filhos dificilmente pode ser considerado um pai seguro".
Um homem já condenado por violência psicológica e perseguição contra a mãe de uma criança agora será denunciado por estupro da própria filha, uma menina de apenas cinco anos. Como mulher e advogada, a notícia me atravessou profundamente.
Quando atuei no caso de violência doméstica, concentrei meus esforços na proteção da mulher. Lembro com nitidez de uma pergunta que fiz à mãe. Quis saber se ela acreditava que aquele homem seria capaz de fazer algum mal à filha. A resposta foi negativa. Ela acreditava que apesar da violência psicológica que sofria ele não faria mal a criança. Durante décadas, a sociedade construiu a ideia de que um homem pode ser um companheiro abusivo e, ao mesmo tempo, um pai adequado. Criou-se uma espécie de compartimentalização moral que separa a violência praticada contra a mulher da relação mantida com os filhos.
Hoje penso diferente. Quem humilha, controla, ameaça e viola a dignidade de uma mulher já demonstra desprezo pelos limites e pela integridade do outro. E uma criança é ainda mais vulnerável.
A violência doméstica não pode ser tratada como um problema restrito ao casal. Ela deve ser vista como um sinal de risco para toda a família. Filhos que convivem com agressores precisam estar no centro da análise das autoridades e do sistema de proteção.
A experiência mostra que muitas tragédias não surgem do nada. Elas são precedidas por sinais. Comportamentos abusivos, perseguições, ameaças e agressões emocionais costumam ser vistos como episódios isolados quando, na realidade, podem integrar uma escalada de violência muito mais ampla.
Nem todo agressor de mulheres cometerá violência contra os filhos. Mas ignorar os sinais que a violência doméstica revela pode ter consequências irreparáveis. A proteção das crianças exige que deixemos de separar, de forma automática, o homem violento do pai que ele afirma ser.
Precisamos urgentemente rever a forma como as instituições enxergam a violência doméstica. A violência contra a mulher não pode ser tratada como um conflito isolado do ambiente familiar. Ela é um alerta de risco para todos ao redor, especialmente para os filhos.
Essa reflexão é dura. Mas necessária.
(*) Mayra Vieira Dias é advogada, sócia do escritório Calazans e Vieira Dias, especialista na defesa de vítimas de fraudes financeiras e atua no IPGE, organização dedicada à proteção de investidores e consumidores lesados por práticas fraudulentas no mercado financeiro
Mayra Vieira Dias (*)
- Crédito de IPI para contribuintes
- Silêncio nos relacionamentos: quando o que não é dito pesa mais
- O papel da Inglaterra no combate ao trabalho escravo no Brasil e o reflexo na atualidade
- Música Sertaneja: Santos juninos
- STF afasta idade mínima para aposentadoria especial
- O dia 04 de junho de 2026: feriado nacional ou não?
- A decisão de Trump, o pix e a soberania do Brasil
- Música Sertaneja: César e César
- Música Sertaneja: César e César
- O inquérito policial: onde a Justiça começa
- O prefeito pode governar em ano eleitoral?
- Saúde digestiva: cuidar do intestino é cuidar da vida
- A cidade que expulsa seus idosos expulsa a si mesma
Imagens da semana
© Copyright 2026 - A.L. DE ALMEIDA EDITORA O JORNAL. Todos os direitos reservados. Proibida a reprodução parcial ou total do material contido nesse site.














