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ARTIGOS

20/01/2026

Música Sertaneja: Antenógenes Silva

Imagem/Reprodução
Detalhes Notícia

Olá amigos amantes da música sertaneja, hoje escrevi sobre o sanfoneiro Antenógenes Silva, agradecendo nossa amiga pesquisadora e jornalista Sandra Peripato pelo apoio e pesquisas.
Antenógenes Silva, nasceu em Uberaba, no estado de Minas Gerais, em 30 de outubro de 1906.
Filho de Olímpio Jacinto da Silva, serralheiro, ferrador de cavalos e acordeonista, e de Maria Brasilina de São José. Pelo lado materno, descendia do então empobrecido Barão da Ponte Alta. Freqüentou a escola por apenas dois anos, começando a trabalhar muito cedo. Já nessa época, tocava acordeão e compunha.
Em 1927, trabalhando como servente de pedreiro, mudou-se para Ribeirão Preto, no estado de São Paulo, e iniciou sua carreira artística. No ano seguinte, na capital paulista, começou a tocar na Rádio Educadora. Em 1929, gravou seus primeiros dois discos na Víctor, interpretando o choro “Gostei da Tua Caída”, o maxixe “Saudade de Uberaba”, e as valsas “Norma” e “Feliz de Quem Ama”, todas de sua autoria. Gravou também na Orion e na Arte Fone.
Em 1931, casou-se com Marcília Marinari, violinista e locutora com o nome artístico de Léa Silva, que, depois de atuar na Rádio Nacional, foi para os Estados Unidos trabalhar na CBS e na NBC.
Mudou-se para Rio de Janeiro em 1933, tornando-se desde então nacionalmente conhecido. Acompanhou grandes intérpretes nacionais e internacionais, entre eles, Lucienne Boyer e Marta Eggerth.
Em 1934, fez uma turnê pela Argentina, e chegou a gravar com Carlos Gardel e Libertad Lamarque.
Foi o primeiro a tocar música lírica no Teatro Municipal do Rio de Janeiro. Nunca deixou de se aperfeiçoar, tendo aprendido harmonia, solfejo e orquestração com Guerra Peixe. Foi também professor de Luiz Gonzaga, quando este ainda era não era famoso.
Em 1949, tendo concluído o curso primário em São Paulo, fez o ginásio em Niterói, formando-se depois em Química Industrial.
Antenógenes sempre manteve uma atividade paralela à vida artística, como comerciante de queijos. Depois de se formar, fundou o Laboratório Creme Marcília no Rio de Janeiro, do qual foi diretor-presidente.
Em 1957, ganhou o primeiro lugar no concurso patrocinado pela fábrica de gaitas “Honner”, realizado em Trossingen, na Alemanha, tendo sido considerado um dos maiores acordeonistas do mundo. Nessa ocasião, recebeu convite para apresentações no Conservatório de Paris. Dois anos depois, fundou a Rádio Federal de Niterói, que ajudou, literalmente, a construir com as próprias mãos.
Conhecido como “O Mago do Acordeão”, tem uma extensa discografia. Durante muitos anos, manteve no Rio de Janeiro uma escola de acordeão, com cursos de teoria, solfejo e harmonia. Compôs valsas, tangos, xotes, mazurcas, sambas, rancheiras e outros ritmos. Gravou mais de 130 composições de sua autoria sozinho ou com diversos parceiros.
Autor de sucessos como “Alegria” (1933), as valsas “Pisando Corações” (1936) e “Saudades de Matão” (1937), esta conhecidíssima valsa descoberta por Raul Torres na Estação Ferroviária de Bebedouro/SP, e que gerou inúmeras controvérsias com relação à autoria da mesma, “Saudades de Petrópolis” (1942), “Mês de Maria” (1947) e outros mais.
Trabalhou no Rádio e na TV, onde apresentou o programa “O Rancho Alegre de Paulo Bob”.
Antenógenes Silva faleceu em 09 de março de 2001 no Rio de Janeiro, aos 94 anos, vítima de insuficiência renal.
Semana que vem tem mais curiosidades e histórias da nossa música sertaneja e cultura caipira.

(*) LUIZ HENRIQUE PELÍCIA (Caipirão) tem o programa “Clube do Caipirão” transmitido para mais de 500 rádios em todo o Brasil diariamente. Apresenta de segunda a sábado das 04h às 08h da manhã o programa “Diário no Campo” pela FM DIÁRIO 89,9 de São José do Rio Preto/SP. Caipirão escreve às terças-feiras para o jornal DIÁRIO DE PENÁPOLIS.

Luiz Henrique Pelícia (Caipirão) (*)



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