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06/01/2026
O primeiro mandato e a curva de aprendizagem na política institucional: O exemplo de Penápolis
A análise do primeiro mandato eletivo exige um olhar que vá além de avaliações apressadas. O ingresso em um cargo público representa um processo complexo de adaptação institucional, técnica e política, marcado por expectativas elevadas, limitações estruturais e aprendizado acelerado em um ambiente normativo rigoroso. No primeiro ano, é comum o chamado “choque institucional”, quando promessas eleitorais se confrontam com a realidade da administração pública, suas amarras legais, restrições orçamentárias e correlações de forças já consolidadas.
Nesse estágio inicial, emergem dificuldades recorrentes: domínio incompleto dos procedimentos administrativos, dependência técnica das equipes permanentes, necessidade de articulação com atores experientes e resistência a mudanças. A curva de aprendizagem não é apenas técnica, mas também política e institucional. Aprende-se a governar governando, ao mesmo tempo em que se constrói credibilidade perante órgãos de controle, parlamento, imprensa e sociedade.
A experiência de Penápolis ilustra com clareza esse processo. O primeiro ano da gestão do prefeito Caique Rossi foi marcado por desafios extremos, incluindo o enfrentamento do ápice da pandemia, a intervenção na Santa Casa e a necessidade de reorganização profunda das finanças públicas. Em um cenário de elevada pressão social e sanitária, a administração conduziu a regularização de aproximadamente R$ 21 milhões em dívidas, restabelecendo a capacidade operacional do hospital e a previsibilidade financeira do município.
A liderança foi decisiva nesse período. Governar no início do mandato implica sustentar decisões difíceis, comunicar com clareza e, muitas vezes, convencer a população apenas pela palavra, antes que os resultados se materializem. Quando essa condução é coerente, responsável e transparente, a credibilidade tende a se consolidar com o tempo.
Com o passar do tempo, a combinação de austeridade fiscal, pagamento responsável de fornecedores, fortalecimento da transparência e articulação política técnica permitiu a estabilização administrativa e a implementação de medidas estruturantes. O caso demonstra que a eficácia governamental é resultado de aprendizado progressivo e liderança firme, especialmente quando decisões impopulares no curto prazo são indispensáveis para a sustentabilidade no longo prazo.
Reconhecer essa trajetória não significa abdicar da fiscalização cidadã, mas qualificar o debate público, compreendendo que bons governos se constroem com maturidade institucional, equilíbrio entre técnica e política e compromisso com resultados duradouros.
(*) Arthur Bezerra de Souza Junior é Advogado, Economista e Cientista Político. Foi Secretário de Administração do governo Caíque Rossi
Arthur Bezerra de Souza Junior (*)
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