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ARTIGOS

10/06/2022

Passaporte Sanitário: Um alerta Vermelho

O leitor desse artigo, muito provavelmente, é cidadão de um país governado por um regime democrático e já está tão habituado ao gozo de direitos como a liberdade e a privacidade que mal consegue imaginar uma vida diferente dessa. 
Entretanto, do outro lado do mundo, 1 bilhão e 400 milhões cidadãos chineses passam por uma situação bem diversa da nossa. Para além de seu imenso poderio bélico e econômico, há outro fato sobre a China que queremos destacar agora: seu imenso aparato tecnológico de Inteligência Artificial e o modo como o Partido Comunista dele dispõe.
Kai-Fu Lee, engenheiro de computação e autor de diversos livros sobre Inteligência Artificial, considera que, em breve, a China superará os Estados Unidos em termos de crescimento tecnológico por dois motivos: a implementação da IA em diversas áreas da vida real e a superabundância de dados disponibilizados pelos usuários da internet. Ademais, o ex representante do Google na China acredita que este pioneirismo tecnológico se converterá em influência por todo o mundo em outras áreas como a Política e Cultura.
A China foi pioneira na transição de relações reais para o mundo virtual. Basta tomar o exemplo do aplicativo WeChat, desenvolvido inicialmente para o envio de mensagens de textos, mas que em alguns anos evoluiu para troca de mensagens de texto e voz, opção de pagamento de compra, desbloqueio de bicicletas compartilhadas, compra de passagem aérea, marcação de consulta médica e muitas outas coisas, reunindo em si as mesmas aplicações que uma dezena de empresas americanas fornecem cada uma individualmente. Kai-Fu Lee se refere ao WeChat como um canivete-suíço digital, tamanha sua variedade de funcionalidades.
Até aqui, nada muito diferente do que as empresas do Vale do Silício oferecem hoje. O leitor já deve ter passado pela experiência de fazer uma busca no Google sobre determinado produto e, nos dias seguintes, ver suas redes sociais inundadas por anúncios do produto que outrora buscava. É o mesmo princípio citado acima: baseado nas nossas buscas e preferências, a IA utilizada pelas gigantes da internet criam uma espécie de perfil de comprador, que depois é vendido para que outras empresas façam seus anúncios direcionados ao provável melhor comprador. 
O problema começa quando este imenso aparato tecnológico, capaz de mapear cada um de nossos passos, na internet e na vida real, passa a ser utilizado com outros fins. Uma vez criado o aparato tecnológico de vigilância sobre o cidadão chinês, deveríamos esperar que o “Olho que tudo vê” apenas nos observasse sem intervir?
Em 2020, após uma fase experimental, o Governo da China ativou o Sistema de Crédito Social, um imenso programa para avaliação do comportamento humano capaz de verificar individualmente, graças ao aparato tecnológico, cada um dos cidadãos chineses. Em resumo, todos os chineses recebem uma pontuação inicial que cresce ou decresce conforme suas relações socioeconômicas e interpessoais. 
Antes de terminar este artigo, gostaríamos de fazer um alerta vermelho ao leitor, um aviso de perigo eminente. Baseado numa estimativa feita pela Pricewaterhouse Coopers (PWC) de que até 2030 a IA injetaria US$15,7 trilhões no PIB global, sendo que a China ficaria com US$ 7 trilhões e os Estados Unidos com apenas US$3,2 trilhões, Kai-Fu Lee fez uma predição que deveríamos interpretar com temor e tremor: “Com o equilíbrio econômico do poder pendendo a favor da China, o mesmo acontecerá com a influência política e o “poder brando”, a pegada cultural e ideológica do país no mundo”.
Em outras palavras, a IA fará a China assumir o protagonismo do mundo, ora ocupado pelos Estados Unidos da América e, por consequência, fará seu modelo político vazar as nações do mesmo modo que os Estados Unidos fez ao longo de todo século XIX e em diante: é o risco iminente do fim da era das democracias liberais e o início da era das tiranias tecnológicas.
Estas palavras ditas em 2018, ano de publicação do livro, pareciam apontar para um futuro distante e talvez irrealizável. O que dizer, porém, depois da pandemia de COVID-19 atingir o mundo?
Diversos países ocidentais adotaram o Passaporte Sanitário como medida de retorno à vida normal. O que significa que os indivíduos destes países, como França, Itália, Austrália e Israel, só estão autorizados a transitar em espaços públicos se apresentarem um comprovante digital de vacinação. Daí em diante, o mesmo estado de vigilância entra em ação: a cada passo dado, o comprovante é apresentado e o governo é alimentado com informações em tempo real do cidadão: o prédio onde trabalha, o meio de transporte utilizado, os restaurantes que frequenta e assim por diante. É o massacre da liberdade e da privacidade com uma desculpa sanitária.
Quanto tempo para vermos o mesmo aparato tecnológico sustentar um programa semelhante ao Sistema de Crédito Social? O tempo dirá. O que podemos constatar por enquanto é que a Democracia, desde os regimes nazistas e comunistas, não enfrentava adversário tão grande. E o passaporte sanitário que pretendia controlar o vírus está na verdade controlando pessoas.
Se as armas da Democracia como a pressão popular e participação na política realmente funcionam, este é o momento de entrarem em ação, antes que seja tarde demais. 

(*) Marcus Vinicius é Profissional em Marketing, Pós-Graduado em ADM, MBA em Gestão Empresarial pela FGV e Presidente do PTB em Penápolis. E-mail: diretorioptbplis@gmail.com

Marcus Vinicius (*)



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