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ARTIGOS

20/11/2021

Reforma que transforma

A moradia é direito social fundamental. Está na Constituição Cidadã. Nada obstante, sabemos que existe um Brasil normativo, formal e retórico e outro Brasil real, cru e triste. Milhões de brasileiros não têm teto. Cresce, de forma assustadora, o número dos moradores de rua. E tantos milhões moram em cortiços, palafitas e em habitações muito distantes do que seria uma habitação digna.
Pululam planos, projetos e promessas. Os números estratosféricos asseguram que está em curso a maior política habitacional já vista neste País. Na prática, tem razão o desvalido, quando não acredita em políticos que só pensam em se perpetuar no poder e de fazer da política partidária a sua profissão. O seu meio de vida. A sua fórmula de enriquecer. A qualquer custo.
Nesse panorama sombrio, é reconfortante verificar que uma empresa poderosa, como a Gerdau, para celebrar cento e vinte anos de atividade, encara a realidade de moradias toscas, insalubres e geradoras de problemas para a saúde. 
A maior produtora de aço pretende reformar ao menos treze mil residências em dez anos: entre 2022 e 2032, para que cerca de cinquenta mil pessoas vivam condignamente. Houve um levantamento minucioso em vários estados, contemplando a estrutura da construção, infraestrutura do bairro, situação fundiária, risco geológico, tutela ambiental e zoneamento urbano. Tudo com o chamado ao comércio e aos profissionais locais, para alavancar o ecossistema e criar uma cultura de verdadeira cooperação.
A Gerdau convida lideranças comunitárias como Edu Lyra, cofundador e CEO da Gerando Falcões. É preciso envolver os interessados e permitir que sua participação confira maior legitimidade ao programa.
Esse exemplo da grande empresa poderia replicar em todos os municípios brasileiros, conjuntamente com a política estatal da regularização fundiária, outra injeção na economia e no brio cívico-patriótico de uma legião que tem todos os motivos para estar desalentada. Existem inúmeras construtoras, que poderiam fazer sua parte. Não é necessário chegar à dimensão da Gerdau. Mas uma casa ao menos que fosse reformada, mostraria o caminho a seguir. Cada um fazendo a sua parte e edificando a pátria justa, solidária e fraterna prometida pelo constituinte de 1988. 

(*) José Renato Nalini é Reitor da UNIREGISTRAL, docente da Pós-graduação da UNINOVE e Presidente da ACADEMIA PAULISTA DE LETRAS – 2021-2022.

José Renato Nalini (*)



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