Classificados

VÍDEOS

Residência pega fogo em Penápolis
Agrosoles - Bombeamento de Água por Energia Solar

CLIMA

Tempo Pen�polis

fale com o DIÁRIO

Fone Atendimento ao assinante & comercial:
+55 (18) 3652.4593
Endere�o Redação e Comercial: Rua Altino Vaz de Mello, 526 - Centro - CEP 16300-035 - Penápolis SP - Brasil
Email Redação: redacao@diariodepenapolis.com.br
Assuntos gerais: info@diariodepenapolis.com.br

ARTIGOS

05/09/2021

Nonagenários que brilham

Mirian Goldenberg, uma escritora que é antropóloga e que desde o ano 2000 estuda a velhice, publicou o livro “A Invenção da Bela Velhice” pela Record. Diz que nesses vinte e dois anos ocorreu uma verdadeira revolução. Os idosos mudaram, não apenas com a administração de sua idade, mas com o engajamento em novas e instigantes causas. 
O livro arrola sugestões para a conquista de uma “bela velhice”, tais como fixar um projeto de vida, valorizar as amizades, viver plenamente cada dia, respeitar sua própria maneira de ser e respeitar suas vontades, sem a pressão dos outros. E aprender a dizer não. 
A velhice é algo democrático. Todos sabem que um dia estarão idosos. A alternativa a ficar velho é muito ruim: morrer cedo. 
Quando ela fala em nonagenários, não há como deixar de pensar nos oito imortais da Academia Paulista de Letras que já chegaram a essa faixa. São eles: Lygia Fagundes Telles, Célio Salomão Debes, Luiz Carlos Lisboa, Paulo Nathanael Pereira de Souza, José Goldenberg, Fábio Lucas, José Gregori e Ruth Rocha.
A intimidade com os livros, a leitura permanente, a escrita constante, o convívio com os amigos, tudo faz com que eles sejam indivíduos bem situados, felizes e bem adaptados à sua faixa etária.
É muito importante conviver com pessoas lúcidas e partícipes, interessadas em acompanhar as profundas mutações que ocorrem numa sociedade complexa como a nossa, atentos à realidade e munidos de vontade de atuar, decisivamente, para oferecer ao Brasil aquilo que o seu talento é capaz de oferecer. 
Até há pouco, ainda tínhamos Renata Pallottini, que chegou a completar seus noventa anos em janeiro, mas nos deixou em julho. É animador constatar que uma instituição longeva como a Academia Paulista de Letras, fundada em 1909, é um espaço para a convivência fraterna de personalidades plúrimas, cada qual com sua origem, seu temperamento, suas inclinações e gostos, mas unidas em torno a ideais hoje tão negligenciados, como o cultivo do idioma e a preservação da cultura. 
Vida longa aos nossos acadêmicos, cuja imortalidade reside apenas no compromisso que a posteridade tem de cultuar a memória de cada qual, à medida em que o mistério vier a chamá-los para a viagem sem retorno. 

(*) José Renato Nalini é Reitor da UNIREGISTRAL, docente da Pós-graduação da UNINOVE e Presidente da ACADEMIA PAULISTA DE LETRAS – 2021-2022

José Nalini (*)



© Copyright 2021 - A.L. DE ALMEIDA EDITORA O JORNAL. Todos os direitos reservados. Proibida a reprodução parcial ou total do material contido nesse site.

Política de Privacidade