CADERNOS
VÍDEOS
CLIMA
fale com o DIÁRIO
+55 (18) 3652.4593
Assuntos gerais: info@diariodepenapolis.com.br
ARTIGOS
18/10/2020
Fazemos por merecer?
O ser humano, primícias da criatura, a única espécie racional, reflexo imperfeito de Deus, é naturalmente pretensioso. Cultiva a autoestima e se considera predestinado. Costuma pensar que a história nasceu junto com ele. O seu universo cabe no interior de sua ambição. Seus horizontes limitam-se aos seus próprios interesses.
Não fora assim e seríamos mais generosos com este planeta que está sendo destruído de várias formas. Inclementes com a natureza, preferimos confiar que não existe aquecimento global, que as mudanças climáticas são espontâneas e que, enquanto não derrubarmos a última árvore, nossa ganância não será saciada.
Também não nos comovemos com as mortes causadas pela Covid19. Cotejamos o seu número com a soma de todos os outros óbitos e achamos que ela, na verdade, não passou de uma gripe um pouco diferente.
Acomodamo-nos com os excluídos e os invisíveis, que voltarão a sê-lo dentro em pouco, assim que arrefecer a onda filantrópica de evidente transitoriedade.
Talvez fizesse bem àqueles que perseveram nas piores práticas, um consumismo inconsciente, um egocentrismo crescente, o deliberado esquecimento de que a finitude é inevitável, ler alguma coisa que nos remeta à insignificância cósmica da criatura humana.
Recomendo a leitura de um livro de Michel Houellebecq, prefaciado por Stephen King, H.P.Lovecraft: contra o mundo, contra a vida (Nova Fronteira). Houellebecq é o escritor francês da atualidade mais lido e mais controverso. Parece escrever para chocar. Mas este livro é um exercício de constatação da nossa insignificância. O que somos diante do cosmo? Praticamente nada.
O planeta em que vivemos é diminuto e, para continuar a propiciar a vida, necessita de uma conjugação de esforços e movimentos sobre os quais a humanidade não dispõe de qualquer controle.
O objeto do livro é o americano Howard Phillips Lovecraft (1890-1937), que em vida permaneceu obscuro e cuja obra se tornou ritual e inspiradora só décadas após. Ele exprime a noção de nossa pequenez diante de vidas cósmicas que poderão nos escravizar, assim como fizemos com os nossos semelhantes de outras etnias.
Nós não podemos ignorar nossa fragilidade e a inevitabilidade do fim. Se nos conscientizássemos disso, não seríamos melhores, mais humildes, mais modestos? Não trataríamos melhor os outros e este nosso mundo?
Temos de nos esforçar para fazer por merecer a nossa pretensão de sermos a mais perfeita espécie viva que este planeta já hospedou.
(*) José Renato Nalini é Reitor da UNIREGISTRAL, docente da Pós-graduação da UNINOVE e Presidente da ACADEMIA PAULISTA DE LETRAS – 2019-2020
José Nalini (*)
- Spray de pimenta para mulheres; proteção, responsabilidade e os limites da lei
- O aluguel disparou e revelou por que comprar virou privilégio
- O que seria da educação sem as mulheres?
- Uberização e pejotização: o vínculo de emprego em debate nos Tribunais
- Transporte público gratuito: aplausos para Penápolis!
- Música Sertaneja: Amambay e Amambaí
- Mulheres direito e transformação social marcos de uma conquista contínua
- O preconceito do "animal social"
- O Fisco está de olho no Simples Nacional e agora a fiscalização é com inteligência artificial
- Temos que repudiar as guerras
- Música Sertaneja: Caçula e Marinheiro
Imagens da semana
© Copyright 2026 - A.L. DE ALMEIDA EDITORA O JORNAL. Todos os direitos reservados. Proibida a reprodução parcial ou total do material contido nesse site.














