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ARTIGOS

15/05/2020

Os efeitos deletérios do isolamento social

A atual pandemia decorrente do Coronavírus, que causa a doença Covid-19, tem gerado tempos difíceis. Sou empresário há  47 anos e em todo esse tempo jamais tinha visto situação semelhante. As medidas de isolamento social implementadas pelos governos estaduais, como é o caso do Estado de São Paulo, terão efeito devastador na economia e na geração de emprego e renda. O pior é que os reflexos dessas medidas atingirão mais fortemente os pequenos e médios empresários, bem como os trabalhadores, sobretudo os de baixa renda.
Algumas autoridades têm o disparate de dizer que entre a economia e a vida, esta é que deve ser preservada. Isso é demagogia barata ou ignorância indesculpável. Estudos mostram que a retração da atividade econômica e o consequente desemprego fazem aumentar a mortalidade. E mais: aumenta a criminalidade, especialmente homicídios, latrocínios, roubos, violência doméstica, entre outros crimes.
A Confederação Nacional da Indústria (CNI) estima queda no Produto Interno Bruto (PIB) que pode atingir, no melhor cenário, 3,9%, e no pior, 7% para o corrente ano. Isso há seis meses era algo impensável.
O secretário de Estado da Fazenda e Planejamento de São Paulo, Henrique Meirelles, disse no último dia 11, em entrevista coletiva no Palácio dos Bandeirantes, que as medidas de isolamento serão responsáveis por apenas 27% da queda do PIB no Estado. Segundo o secretário, a queda é significativa mesmo nos setores que não estão sendo afetados pelo isolamento. De duas, uma: ou o secretário desaprendeu sobre economia ou ele mente à população. Isso porque é óbvio que os setores que não estão sob isolamento até têm como produzir, porém a produção – principalmente de bens não prioritários – será significativamente menor, pelo simples fato de que o consumo diminuiu drasticamente. Sem renda não há consumo. Então, mesmo os que continuam produzindo não terão a quem vender os seus produtos. 
A indústria calçadista, por exemplo, é vítima direta da queda de consumo. Ninguém deixa de comprar comida ou remédio para comprar calçados. Para o ramo calçadista, ainda que haja produção, não há a quem vender. Outro exemplo é o setor sucroalcooleiro. As usinas continuam produzindo, mas o consumo de combustível caiu significativamente. Isso implica em queda de arrecadação.
Portanto é desfaçatez do Governo Estadual querer minimizar os efeitos danosos do isolamento social por ele imposto. Segundo o dito, “quer se tapar o sol com peneira”.
Embora com respeito a opiniões contrárias, entendo que são discutíveis os efeitos positivos do isolamento. O Estado do Mato Grosso do Sul, por exemplo, tem um dos menores índices de isolamento do país, mas mantém taxa muito baixa de contágio e de morte por Coronavírus. O mesmo se diga da Suécia, país que não impôs o isolamento social, porém ostenta o mais baixo índice de contágio e morte por Coronavírus da Europa.
Entendo, pois, que já passou da hora de o Governo do Estado de São Paulo colocar fim à sua infantil queda de braço com o Governo Federal e, então, rever a questão do isolamento. Se isso não for feito com urgência, o Governo Estadual levará à quebra expressivo número de empresas, de prestadores de serviço, de comerciantes e de produtores em geral. Isso acarretará desemprego em massa, o que sabidamente é fator de mortalidade, conforme mencionado acima. O “remédio” matará mais do que a doença.
Obviamente que medidas acautelatórias deverão ser tomadas, como, por exemplo, uso de máscaras, disponibilização de álcool em gel na entrada dos estabelecimentos, controle para não haver aglomeração de clientes no interior das lojas, entre outras. Isso tem ocorrido, por exemplo, nos supermercados e padarias. Por que não estender o mesmo critério para outros tipos de estabelecimentos?
A verdade é que os desatinos das autoridades governamentais estão a afetar os que produzem, os que geram emprego e os trabalhadores da iniciativa privada. Não sei se isso decorre de incompetência ou má-fé. Mais sei que já passa da hora de rever posições e agir, sob pena de se instaurar o caos social, econômico e financeiro no país.

por José Carlos Altimari, empresário, produtor rural e foi vereador em Penápolis/SP

José Carlos Altimari (*)



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