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ARTIGOS

01/12/2019

Poesia: A N D A R I L H O

I
Com teus pés descalços andando na estrada sem fim ...
Teus olhos tristes a mirar o horizonte
a carga nas costas, com teu sofrimento
lá vai o andarilho, barbudo, maltrapilho, desafiando o vento.

II
- Por que não páras? não gritas? não fazes retroceder o tempo?
- Ah, meu Deus! Que destino o teu!
- Um homem sem lar, sem filhos, sem mulher e sem amor,
que  anda... anda... e não dizes o porque do teu tormento.
           
III
Teu rosto poeirento, teu cheiro...
o peito em lágrimas presas
com o coração sem escolha
nada dizes com a boca.

IV
Aqui nesta árvore, páras.
Acolá tu sentas
Desvias dos transeuntes e procuras  os matagais
para refletir ... refletir ... meditar ... 

V
Quisera eu por um instante, entrar em teu pensamento,
penetrar rápido lá no fundo de tua razão
trazendo as mãos cheias
de soluções para tudo que te machucou o coração

VI
E tu caminhas cabisbaixo
teu corpo esquálido e taciturno
o olhar estático, sem referência, sonolento ...
- Abrigas culpa de quê , pobre homem?

VII
Parece que tu passas pelo verde sem senti - lo,
respiras o ar sem inspirá - lo,
come poeira sem outra alternativa
e lambe os lábios secos já formando ferida.

VIII
A barba grisalha e longa
o chapéu furado
a camisa xadrez em tom escuro
aquele joelho machucado

IX
No teu pescoço , uma cicatriz
tuas mãos calejadas
as costas molhadas de suor
teu semblante amargurado.

X
A mosca que pousa em teu rosto,
Ó ser humano abandonado!
O Deus! cuida dele , é um coitado!
Fedes em vida... mas vives criatura!

XI
De dia o sol te queima.
a noite chega trazendo teu cansaço
enquanto deitas com os olhos para o céu ,
e procuras um brilho para clarear teu espaço.
           
XII
Ah! mesquinharias da vida... solidão...
Enquanto todos amam ... vivem ...
Tu amas com o cérebro
e te satisfazes com as mãos.

XIII
Quisera eu poder contigo ter um diálogo
e saber o porquê da tua vida
entender alguma coisa de teu íntimo
quem sabe se não te aliviaria?

XIV 
A noite vai envelhecendo, a respiração enfraquece
e teu corpo quase morto, inerte, adormece ...
As folhas balançam, o vento assobia e tu te encolhes
ali no chão, sozinho ... um homem!

Poesia do livro ANDARILHO de Álvaro de Favari:
Professor e Poeta - Autor dos livros: Andarilho, Triângulos e Lua de Sangue

Álvaro de Favari (*)



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