Classificados

VÍDEOS

Apaixonados por carros antigos se reúnem em Penápolis
Agrosoles - Bombeamento de Água por Energia Solar

SUA OPINIÃO

Você aprovou o novo aplicativo de notícias do DIÁRIO DE PENÁPOLIS?


CLIMA

Tempo Penápolis

fale com o DIÁRIO

Fone Atendimento ao assinante & comercial:
+55 (18) 3652.4593
Endereço Redação e Comercial: Rua Altino Vaz de Mello, 526 - Centro - CEP 16300-035 - Penápolis SP - Brasil
Email Redação: redacao@diariodepenapolis.com.br
Assuntos gerais: info@diariodepenapolis.com.br

ARTIGOS

28/08/2019

Até quando Sérgio Moro estará ministro?

No dia 8 de maio de 2019, o Diário de Penápolis publicou um artigo de minha autoria com o título “Sérgio Moro Fora do Governo Bolsonaro”. Naquela época estava em discussão o destino do COAF (Conselho de Controle de Atividades Financeiras) e a evidente insatisfação do “super ministro”. 
Os corruptos e seus protetores em todas as instâncias do Estado brasileiro, naquele momento, incomodados com os efeitos dos trabalhos dos Auditores da Receita Federal, profissionais a serviço do COAF na “Operação Lava Jato”, pressionaram para que o órgão saísse do Ministério da Justiça e voltasse para o Ministério da Economia. Moro não queria que isso acontecesse, mas estava politicamente isolado. Sem apoio do Bolsonaro assistiu contrariado, e ao mesmo tempo pacífico, o primeiro desapoio do presidente.  
Outros fatos protagonizando derrotas e humilhações aconteceram posteriormente, deixando claro que o presidente nomeou o Sérgio Moro para o cargo de Ministro da Justiça, mas esvaziou a sua autoridade. Assim temos: a) Liberação do porte de armas, sem aceitar as suas opiniões; b) “Pacote anticrime” preparado por Moro sem o apoio político contundente do presidente; c) Mudanças na direção da Polícia Federal com demissão do diretor-geral Maurício Valeixo. Em relação ao diretor-geral, Bolsonaro disse publicamente: “Se eu trocar hoje, qual o problema? Está na lei. Eu indico, e não o Sérgio Moro e ponto final. Qual o problema se eu trocar hoje?”.
Pelas razões acima, dentre outras, a imprensa internacional e diversos colunistas dos jornais brasileiros avaliavam que a fritura do “super ministro”, então referência mundial no combate à corrupção no Brasil, estava se iniciando. Quando Moro foi chamado pelo “chefe” para uma reunião no dia 28 julho, pensei que seria demitido. Setores da imprensa revelam que, na reunião houve uma conversa tensa e Bolsonaro disse: “Se o senhor não pode ajudar, por favor, não atrapalhe”. Neste momento, no lugar dele, eu pediria demissão na hora e sairia denunciando publicamente o desrespeito por parte do presidente. 
Decorridos quase oito meses da posse, lendo as notícias, penso que o ministro Sérgio Moro se mostra uma “mala sem alça” para Bolsonaro. O clima esquentou quando o ministro Dias Toffoli, ministro do STF foi procurado pelo Sérgio Moro, pedindo para ele revisar a decisão que impede investigações que usem dados do COAF sem autorização judicial. A decisão favoreceu o senador Flávio Bolsonaro, envolvido no caso Queiroz. Moro, no entanto, procurou Toffoli para pedir para ele voltar atrás na decisão. 
Convidado por Bolsonaro para o cargo de Ministro da Justiça, de confiança política, aceitou ambicionando, segundo dizem, uma vaga no Supremo Tribunal Federal. Penso que não valeu a pena Moro deixar o cargo de 22 anos de magistratura para ser humilhado num cargo de confiança política. Em reportagem publicada pelo jornal O Globo no último sábado, com o título “O gatilho do desgaste”, o jornalista Jailton Carvalho opinou que Bolsonaro decidiu inviabilizar a permanência de Moro no governo. 
Penso que desde o início do governo Bolsonaro o ministro Sérgio Moro tem sofrido sucessivas derrotas. Assiste calado à intervenção do presidente na Polícia Federal, vinculada à sua pasta. Penso também que caso permaneça no governo, será apenas um auxiliar de um presidente autoritário, centralizador, criando problemas e impedindo o exercício do seu trabalho de maneira autônoma.
O combate à corrupção tem sido cada vez mais abandonado pelo famoso ex-magistrado. Aliás dentro do próprio Governo temos pessoas em altos cargos que confessaram envolvimentos em corrupção como, por exemplo, Onyx Lorenzoni, do DEM, que já confessou ter recebido R$ 100 mil da JBS pelo Caixa 2. Quando na magistratura, Sérgio Moro disse que Caixa 2 era “pior que corrupção”. Lorenzoni é um político financiado por empresas armamentistas como a Taurus.  
O incrível é que é este governo que Sérgio Moro resolveu integrar sem qualquer crítica ou ressalva. Aí ficam as perguntas: até quando Sérgio Moro vai tolerar tanta humilhação? Quantas vezes mais a sua autoridade será desrespeitada pelo presidente da república? Até quando estará ministro da Justiça?

(*) WALTER MIRANDA é Presidente do Sindifisco Nacional - Sindicato dos Auditores-Fiscais da Receita Federal/Delegacia Sindical em Araraquara, Pós-graduado em Ciência Contábeis pela PUC/SP, militante da CSP-CONLUTAS-Central Sindical e Popular. Escreve as quartas-feiras para o DIÁRIO - E-mail: wm@sunrise.com.br

WALTER MIRANDA (*)



© Copyright 2019 - A.L. DE ALMEIDA EDITORA O JORNAL. Todos os direitos reservados. Proibida a reprodução parcial ou total do material contido nesse site.